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Tatiane Cornetti
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« : 22/Agosto/2010, 10:05:32 » |
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Uma destinação mais nobre para o nosso patrimonio ferroviario.
A partir de 2011, o Estado de São Paulo poderá, finalmente, dar uma destinação um pouco mais nobre as centenas de estações ferroviárias do interior que se encontram fechadas ou agonizam em estado de ruína. O conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), em conjunto com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), pretende concluir ainda este ano um amplo inventario dos bens ferroviários do Estado, de modo a verificar o que tem importância arquitetônica e cultural e merece ser preservado.
Praticamente todos os 645 municípios paulistas são dotados de uma estação, embora existam vários que possuem mais de uma, como Bauru, São José dos Campos e Atibaia. Estima-se que, por baixo, São Paulo deva ter umas 800 estações espalhadas pelo interior, afora a mais de uma centena de estações de subúrbio operadas pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) na grande São Paulo e na região de Jundiaí.
No interior, quase todas foram desativadas depois do colapso do transporte ferroviário de passageiros entre os anos de 1970 e 80 e pouquíssimas tem hoje uso operacional. Já que elas não faziam parte do pacote da privatização das ferrovias da década de 1990 – só as vias férreas e o material rodante foram licitados. Todas elas passaram para o controle do Patrimônio Da União.
Isto não impediu a derrubada de algumas delas, como as das cidades de São Vicente e Pacaembu e que outra como a de Cachoeirinha Paulista, São Manuel e Iperó, estejam em estado terminal de conservação. A ultima, na região de Sorocaba, foi cruelmente depredada. E existem ainda aquelas que estão sendo usadas para finalidades totalmente diferentes da original. A estação de Taquaritinga serve, por exemplo, como revendedora de tratores, enquanto a de Desembargador Furtado, perto de Campinas, foi invadida e é hoje usada como local de culto evangélico. Diversas estações viraram residências particulares por vias legais, como as de Santa Veridiana, Barão Geraldo, Venerando e Analândia.
A intenção do Condephaat é de, depois de realizado o inventario – que se tornou necessário, dado o caos documental que acabou prevalecendo em mais de um século e meio de uma historia de fusões, aquisições, divisões e encampações de empresas ferroviárias – verificar quais são aquelas dignas de tombamento e preservação (tanto do ponto de vista arquitetônico como social e afetivo) ou que podem ser devolvidas as municipalidades, que a elas dariam mais ou menos a destinação que quisessem, quando possível via convênios específicos.
E há preciosidades neste patrimônio, que um dia pertenceu a lendárias companhias ferroviárias paulistas, como Sorocaba, Companhia Paulista, Mogiana, Central do Brasil ou Estrada de Ferro Araraquara, muitas erguidas em estilo inglês ou art-déco e com grande opulência construtiva.
É um esforço louvável sob todos os sentidos o que vem realizando o Condephaat. E que já começou a dar frutos. Recentemente, oito estações da Grande São Paulo que eram da antiga São Paulo Railway (SPR) e hoje são operadas pela CPTM foram tombadas pelo órgão: Rio Grande da Serra, Ribeirão Pires, Caieiras, Perus, Franco da Rocha, Jaraguá, Jundiaí e Várzea Paulista, além de outra localizada em Santos. Todas elas foram construídas no final do século 19 dentro do mais rigoroso estilo britânico e o que espanta é não terem sido tombadas antes.
Publicado Metro News 17/08/2010.
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