Corte de árvore na Água Branca vira caso de políciaPoda tem autorização da Secretaria Municipal do Verde e do Condephaat, mas documento será investigado por promotor
Após receber representação pública que indicava a retirada de arbustos e palmeiras em dois bosques do parque, o promotor de Meio Ambiente José Eduardo Ismael Lutti enviou uma equipe da Polícia Militar Ambiental para checar o desmatamento. "A direção do parque nos apresentou autorização da Secretaria Municipal do Verde e do Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico do Estado de São Paulo) para o corte de 30 árvores. Agora o MP vai investigar essas autorizações, já que o parque e sua vegetação são tombados e não poderiam ser desfigurados."
Antes, a Promotoria já havia recebido denúncia sobre a construção de uma praça de alimentação ao lado do bosque que foi desmatado. "Também temos de apurar se essa praça respeita as regras de tombamento e não altera o parque", acrescentou Lutti.
Segundo parque mais antigo da cidade, inaugurado em 1929 e tombado pelo patrimônio histórico desde 1996, o Água Branca passou por reformulações que incluem também o fim da festa anual com comidas típicas do interior paulista, o evento Revelando São Paulo. A responsável pelas mudanças em curso é a nova primeira-dama do Estado, Deuzeni Goldman, que desde 7 de abril preside o Fundo de Solidariedade e Desenvolvimento Cultural e Social do Estado de São Paulo (Fussesp), com sede no parque. Ela diz que a remoção faz parte do projeto de revitalização do parque e atinge apenas as árvores doentes que apresentavam riscos de queda.
Podas. O bosque com mata fechada que havia ao lado da entrada do parque pela Rua Ministro de Godói teve boa parte das árvores cortadas. Uma pista de cooper foi construída no local. Algumas palmeiras imperiais também desapareceram.
Além da remoção de 30 árvores, dezenas de outras tiveram galhos podados. Ontem, por volta das 11 horas, equipes da Defesa Civil Estadual juntavam os galhos e troncos cortados. Os funcionários usavam motosserras, causando reclamações dos frequentadores.
Mudanças. As galinhas d"angola e os pavões que ficavam soltos pelos bosques e eram considerados uma das principais atrações para as crianças já não são vistos em grande número.
"Ninguém sabe mais o que vai virar esse parque. Foi uma tristeza o que fizeram com as árvores. Todo dia tem poda nova. Estamos com medo de sermos transferidos para essa praça de alimentação que vão construir", disse uma das funcionárias da Feira de Produtos Orgânicos, que ocorre dentro do parque.
O evento Revelando São Paulo, há 13 anos realizado no local e que reúne barracas de 152 cidades do interior e litoral paulista, foi transferido para o Parque do Trote, na zona norte.
O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) também está deixando o espaço que ocupa em um dos 35 prédios do parque, em estilo normando, projetados no início do século passado pelo arquiteto Mário Whately. Outras edificações que não fazem parte do projeto original, localizadas nos fundos do parque, estão sendo demolidas.
Também foram criados quiosques de leitura, com jornais e livros à disposição dos frequentadores do parque.
Publicado no Estadão (04/08/2010)http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100804/not_imp590116,0.php