Grupo novo no país se alia à PUC para comprar prédio histórico em SPWWI planeja lojas e hotel no imóvel do antigo hospital Umberto Primo
Investidor aparece em documento que a PUC assinou para poder usar imóvel na Bela Vista, na região da av. Paulista
MARIO CESAR CARVALHO
DE SÃO PAULO
Adriano Vizoni/Folhapress

Prédio do hospital Umberto Primo, na alameda Rio Claro, região da avenida Paulista
Um grupo de investimentos desconhecido, chamado WWI Group (World Wide Investements), está por trás do negócio em que a PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) ficaria com parte das instalações do hospital Umberto Primo, na região da avenida Paulista.
A intenção do WWI é construir uma torre comercial e um hotel de superluxo junto ao imóvel tombado pelo patrimônio histórico.
O nome do WWI aparece no protocolo de intenções que o reitor da PUC, Dirceu de Mello, assinou para poder usar o imóvel. Inicialmente, a PUC anunciou que comprara o prédio. Anteontem, o reitor mudou a versão: disse que a universidade seria inquilina do imóvel.
A Folha apurou que a PUC pagaria um aluguel mensal de R$ 700 mil pelo prédio.
A Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, é dona do imóvel.
Comprou-o em 1996 por R$ 68 milhões, o equivalente hoje a cerca de R$ 160 milhões, segundo a tabela de atualização de valores do Tribunal de Justiça paulista.
No ano passado, o fundo de pensão concordou em pagar um valor adicional de R$ 23 milhões, para ressarcir credores do hospital que ameaçavam ir à Justiça contra o fundo de pensão, acusando-o de fraude.
Ou seja, o prédio custou cerca de R$ 183 milhões em valores atualizados. Peritos no mercado imobiliário estimam que o prédio possa valer até R$ 270 milhões.
Num esboço de contrato, a Previ se dispõe a vender o imóvel para o WWI por cerca de R$ 120 milhões.
EMIRADOS ÁRABES
O WWI é desconhecido no mercado brasileiro. Foi fundado em 14 de outubro de 2009, com um capital de R$ 1 mil. Tem um escritório em São Paulo, na rua Iguatemi, e outro em Brasília.
Uma das versões que circula na Fundação São Paulo é que o WWI representaria interesses de investidores dos Emirados Árabes.
No escritório do WWI em São Paulo, os enigmas sobre o grupo só aumentam. Um diretor que se diz chamar Marcelo, mas não quis informar o sobrenome, conta que não pode confirmar nem negar que a empresa represente investidores árabes.
E o negócio com a PUC? "Não tenho informações oficiais sobre isso", diz o diretor. O repórter pergunta: os sócios do WWI são mesmo os nomes que aparecem na Junta Comercial? "Não confirmo nem nego", repete Marcelo.
Os sócios da empresa são Claudio Roberto Sabó, Marco Antonio Valadares Versiani e Marcos Navajas. Uma das poucas referências que aparecem de Sabó em sites é que preside o conselho consultivo de um asilo.
O reitor Dirceu de Mello começou a negociar com o WWI sem o conhecimento da Fundação São Paulo, a mantenedora da PUC. Pelo estatuto da fundação, o reitor não tem personalidade jurídica e não pode fazer negócios pela PUC. Tudo precisa passar pela fundação.
A Folha apurou que o arcebispo de São Paulo, d. Odilo Pedro Scherer, que é grão-chanceler da PUC, ficou contrariado com Mello.
Procurado pela Folha, o reitor não quis se pronunciar.
Publicado na Folha de S.Paulo (09/06/2010)http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/747850-grupo-novo-no-pais-se-alia-a-puc-para-comprar-predio-historico-em-sp.shtml