PreservaSP
Bem-vindo, Visitante. Por favor faça o Login ou Registe-se.
09/Fevereiro/2012, 10:28:23

Login com nome de usuário, senha e duração da sessão
Pesquisa:     Pesquisa avançada
1.243 Mensagens em 710 Tópicos por 202 Membros
Membro Mais Recente: Gisele
* Home Ajuda Pesquisa Calendário Login Registre-se
+  PreservaSP
|-+  Nossos temas
| |-+  Patrimônio Histórico e Urbanismo
| | |-+  Em 4 anos, só 27 pessoas multadas por danos ao patrimônio em SP
0 Membros e 1 Visitante estão vendo este tópico. « tópico anterior tópico seguinte »
Páginas: [1] Ir para o Fundo Imprimir
Autor Tópico: Em 4 anos, só 27 pessoas multadas por danos ao patrimônio em SP  (Lida 290 vezes)
Tatiane Cornetti
Administrator
Membro Master
*****

Karma: 0
Offline Offline

Mensagens: 686


Ver Perfil Email
« : 07/Março/2010, 10:56:36 »

Em 4 anos, só 27 pessoas multadas por danos ao patrimônio em SP
Recursos arrecadados são suficientes só para restaurar duas estátuas; fiscais ainda não receberam treinamento


VILA MARIA ZÉLIA - Verba serviu para escorar paredes de restaurante

São Paulo pouco fez ao longo das décadas para preservar seu patrimônio. O que era história virou apenas casas velhas, vestígios de palacetes destruídos ou fotos em livros. E a legislação existente, criada em 2006 para minimizar o problema, apenas revela a dificuldade de criar uma nova perspectiva cultural e urbana para o patrimônio paulistano.

Levantamento feito pela Secretaria Municipal de Cultura, a pedido do Estado, mostra que de 2006 até a semana passada apenas 27 pessoas foram multadas pelo Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico (Conpresp) por destruir, demolir, mutilar ou reformar sem autorização um bem tombado. Outros 25 processos esperam o trâmite de documentos e recursos, sem prazo para conclusão. Assim, em quatro anos de vigência da lei, foram arrecadados apenas R$ 409,5 mil, suficientes para restaurar, no máximo, duas estátuas de praça.

Os recursos coletados até aqui fazem parte do Fundo de Proteção do Patrimônio Cultural e Ambiental Paulistano (Funcap), único instrumento criado para punir degradação e financiar a recuperação do patrimônio. Até hoje, apenas R$ 120 mil foram usados para restaurar bens tombados na cidade - serviram para escorar paredes e construir cobertura provisória num único imóvel que ameaçava ruir, o antigo Restaurante da Vila Maria Zélia, primeira vila operária do País, na zona leste da capital.

"Digamos que isso é um começo", disse o presidente do Conpresp, o arquiteto José Eduardo de Assis Lefèvre. "A importância do Funcap é que todas as infrações precisam de punição, senão é como se não houvesse legislação. Mas caracterizar o que é infração não é tarefa fácil, não é como ver se o carro parou em cima da faixa de pedestre. É preciso saber quais são as obrigações, o que diz a lei, quais os detalhes das normas de preservação", afirmou. "E os fiscais não têm conhecimento disso tudo."

Percebendo as dificuldades de implementação da lei, o Conpresp já estuda modificar a legislação atual. Em novembro, foram criados dois grupos de trabalho, um deles com representantes de secretarias, e outro formado por funcionários do Departamento do Patrimônio Histórico (DPH), para propor mudanças no encaminhamento dos processos. Entre as modificações estudadas, segundo a Secretaria de Cultura, está a necessidade de fixar datas máximas para pagamento das multas. Não há prazo, porém, para que os grupos apresentem resultados finais dos estudos.

"A estrutura é falha, mas dá para consertar", diz o arquiteto Vasco de Mello, professor da Faculdade de Arquitetura e Belas Artes de São Paulo, e conselheiro do Conpresp. "A legislação de fato precisa de mudanças, tanto no valor da multa, que agora é alto para a maioria, quanto na fiscalização."

AULAS
Nos casos de desrespeito flagrados pelos fiscais, a multa pode chegar a dez vezes o valor do imóvel - até 1985, quando foi criado o Conpresp, a penalidade não ultrapassava R$ 24. O grande entrave, porém, é que os 671 fiscais das subprefeituras que têm poder de multar nunca tiveram aulas sobre patrimônio - assim, segundo admite o Conpresp, desconhecendo as características que garantiram tombamento aos imóveis, casos de destruição de patrimônio não são flagrados e multas não são aplicadas.



Publicado no Estadão 05/03/2010
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100305/not_imp519803,0.php
« Última modificação: 07/Março/2010, 11:43:21 por Tatiane Cornetti » Registrado
Tatiane Cornetti
Administrator
Membro Master
*****

Karma: 0
Offline Offline

Mensagens: 686


Ver Perfil Email
« Responder #1 : 07/Março/2010, 10:58:15 »

Autuações só ocorrem em caso de denúncias
Multas mostram falta de informação de donos e até confusão entre os órgãos públicos

Rodrigo Brancatelli e Vitor Hugo Brandalise

Sem poder contar com fiscais da Prefeitura para flagrar desrespeitos com os bens tombados paulistanos, o Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico (Conpresp) acabou multando nos últimos anos apenas casos que foram denunciados pela Secretaria de Habitação ou por órgãos de imprensa. E os casos de multas deliberadas pelo Conselho demonstram falta de informação de proprietários, ausência de políticas integradas entre órgãos municipais e falta de conhecimento dentro do poder público.

Um exemplo da falta de articulação entre as instâncias municipais é o do Instituto Paulo Kobayashi, multado pelo Conpresp por ter alterado a configuração original de dez edifícios na Praça da Liberdade, no centro da capital, sem autorização. O projeto de revitalização da praça - convênio com a Prefeitura batizado de Caminho do Imperador, assinado pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) em abril de 2008 - foi aprovado pela Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), mas, segundo a Secretaria de Cultura, nunca recebeu aval do Conpresp.

"O engraçado é que havia membros do DPH (Departamento de Patrimônio Histórico) na comissão da Emurb que aprovou o projeto, e nenhuma objeção nunca foi feita", diz Victor Kobayashi, presidente do Instituto. "Tivemos autorização em todas as instâncias, a Prefeitura sabia da nossa obra e ninguém se manifestou para impedi-la. E agora querem nos multar? É absurdo." No total, foram investidos R$ 5 milhões na reforma dos prédios nos arredores da praça, reinaugurada em cerimônia pública em dezembro de 2008. Até hoje, o Instituto nunca foi notificado sobre a multa - segundo o Conpresp, o valor da autuação, um ano após a deliberação do Conselho, ainda está sendo calculado.

Outro caso que demonstra a falta de sintonia entre os dois lados é o da Livraria Cultura, que foi multada em R$ 142.900 por ter realizado obras na loja do Conjunto Nacional, sem que o assunto fosse deliberado no Conpresp. Multada em 2008, a direção da livraria recorreu duas vezes da decisão - a última, em 3 de novembro -, mas teve os pedidos negados pela Secretaria da Cultura. "A obra demorou dez meses para ser aprovada pelo Condephaat (órgão estadual de proteção ao patrimônio). Como o Conpresp não definia nada, esperamos prazo legal de 120 dias, não houve resposta, e então iniciamos a obra", disse Sérgio Herz, diretor da livraria. "Vamos recorrer judicialmente, porque a multa não é relativa à obra, mas ao início das obras antes de o processo ser aprovado. Exatamente o mesmo projeto foi aprovado em uma reunião seguinte."

DESTRUIÇÃO
Problemas na fiscalização podem significar, também, destruição dos bens. Proprietário de um casarão no bairro tombado da Bela Vista, o aposentado Adélio Brito, de 66 anos, não aguentou ver seu imóvel invadido e, simplesmente, o destruiu, em 2005. A multa foi deliberada apenas em 2008, quando o terreno já havia sido vendido. "Ninguém falou nada na Prefeitura, mesmo quando paguei as taxas de demolição e os impostos na subprefeitura."



Publicado no Estadão 05/03/2010

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100305/not_imp519824,0.php
Registrado
Páginas: [1] Ir para o Topo Imprimir 
« tópico anterior tópico seguinte »
Ir para:  

Powered by MySQL Powered by PHP Powered by SMF 1.1.4 | SMF © 2006, Simple Machines LLC XHTML 1.0 Válido! CSS Válido!